Contato

A derrota que vai muito além do futebol

 


Enquanto o presidente da CBF segue acumulando salários milionários e se envolvendo em polêmicas bancando amantes na Copa, enquanto Carlo Ancelotti tem contrato garantido até 2030 recebendo milhões por mês, enquanto a maioria dos jogadores mantém salários astronômicos — muitos deles merecidos pelo talento e pela carreira construída — milhões de brasileiros terminam mais uma Copa do Mundo com um sentimento difícil de explicar. Não é apenas tristeza pela eliminação. É a frustração de um país que segue encontrando no futebol uma das poucas fontes coletivas de esperança.
Em uma nação marcada pela desigualdade, o futebol ainda consegue unir pessoas de origens, classes sociais, religiões e visões de mundo completamente diferentes. Durante noventa minutos, o desempregado, o empresário, o aposentado e o estudante vestem a mesma camisa e compartilham o mesmo desejo. E esperança, no Brasil, nunca foi algo barato.
Chegamos ao maior jejum de títulos mundiais da nossa história. A última conquista foi em 2002. Uma geração inteira cresceu ouvindo histórias sobre Pelé, Garrincha, Romário, Bebeto, Ronaldo, Rivaldo, Ronaldinho Gaúcho, mas sem experimentar a sensação de ver o Brasil levantar a taça. O mundo mudou, o futebol mudou e talvez nós não tenhamos acompanhado essa transformação na mesma velocidade.
O Brasil continua produzindo talentos e revelando grandes jogadores. Vinícius Júnior merece elogios pelo que construiu no futebol mundial. Mas a diferença é que, hoje, talento sozinho não resolve mais. Durante décadas, a seleção conseguia vencer apesar do caos. Nos anos 1990 já existiam denúncias, cartolas poderosos, decisões questionáveis e problemas estruturais. A diferença é que havia uma geração de craques capaz de superar tudo isso dentro de campo. Romário, Bebeto, Ronaldo, Rivaldo e tantos outros conseguiam fazer a diferença mesmo quando a estrutura ao redor estava longe do ideal.
Entretanto, o futebol moderno tornou-se mais coletivo, mais científico e mais planejado. Não basta reunir bons jogadores. É preciso organização, estabilidade, trabalho de base, gestão séria e um projeto esportivo consistente. Em 2002, o Brasil trocou de treinador quatro vezes ao longo do ciclo e ainda assim conquistou a Copa do Mundo. Aquela realidade não existe mais. Nenhuma seleção relevante do planeta vive apenas de talento isolado. As grandes conquistas são resultado de planejamento.
A Seleção Brasileira acabou se tornando refém de decisões erráticas, mudanças constantes de rumo e convocações que muitas vezes parecem atender mais ao espetáculo do que ao desempenho esportivo. A convocação de Neymar simboliza um pouco disso – em meio àquele show de horrores que foi o evento. Quero acreditar que tenha ocorrido em razão das lesões de Rodrygo e Estevão. Mas a realidade mostrou aquilo que muitos já observavam: ele não possuía condições físicas para sustentar noventa minutos em alto nível. Não se trata de questionar sua história ou seu talento, mas de reconhecer o momento esportivo.
Enquanto isso, as bets dominam o cenário esportivo. Clubes, campeonatos, transmissões e influenciadores orbitam uma indústria que movimenta cifras gigantescas e transforma o futebol cada vez mais em produto e cada vez menos em patrimônio cultural. O torcedor continua financiando essa engrenagem, comprando camisas, assinando plataformas, acompanhando transmissões e acreditando que, desta vez, será diferente.
Talvez por isso a relação das novas gerações com a Seleção Brasileira seja tão diferente. Muitos jovens acompanham mais Real Madrid, Manchester City ou Barcelona do que os clubes do próprio país. Outros chegam ao ponto de torcer pela Argentina, rival histórica que raramente demonstra reciprocidade esportiva. Trata-se de uma mudança cultural profunda, que vai muito além dos resultados em campo.
A reflexão mais importante, porém, é outra. Nenhum povo deveria depositar suas maiores esperanças em um time ou em uma seleção de futebol. O futebol pode oferecer alegria, emoção, memória afetiva e momentos inesquecíveis, mas não pode carregar sozinho o peso dos sonhos de uma nação. O que deveria alimentar a esperança dos brasileiros é algo muito maior: um país menos desigual, com melhor distribuição de renda, educação pública de qualidade, saúde acessível, segurança eficiente, incentivo à cultura, à ciência, ao esporte e à infraestrutura.
Torcer pela Seleção Brasileira não é necessariamente um ato de patriotismo. Aliás, talvez seja justamente o conceito de patriotismo que mereça ser debatido com mais profundidade. Patriotismo não é vestir uma camisa de quatro em quatro anos, nem cantar o hino mais alto do que os outros. Patriotismo é tentar acertar mesmo errando, porque ninguém é perfeito. É não prejudicar deliberadamente o próximo para obter vantagens pessoais. É não furar fila. É não usar contatos para passar na frente de quem espera há meses por uma consulta no SUS. É não conseguir benefícios porque tem costas quentes. É não se aproveitar de amizades para vencer editais, concursos ou processos que deveriam ser justos. É compreender que o interesse público não pode ser tratado como extensão dos interesses privados.
Também se fala muito em patriotismo para defender discursos vazios, mas pouco se discute o que realmente significa defender um país. Patriotismo talvez seja não querer vender o próprio país aos interesses estrangeiros, não aceitar uma postura permanente de subserviência diante dos Estados Unidos ou de qualquer outra potência, e entender que soberania continua sendo um tema relevante mesmo em um mundo globalizado. Talvez o próprio conceito de patriotismo esteja em xeque e precise ser revisto. Mas qualquer definição séria passa por responsabilidade coletiva, honestidade cotidiana e compromisso com o bem comum.
Uma Copa do Mundo acaba. Uma eliminação passa. O que permanece são os problemas reais de um país que continua precisando de menos desigualdade, menos privilégios, menos corrupção e mais oportunidades. E essa continua sendo a partida mais importante que o Brasil precisa disputar.

*André Azenha é doutor em Comunicação Audiovisual, professor e produtor cultural.

O Pré de De Assis

 

Na plenária de lançamento da pré-candidatura a deputado estadual, De Assis Diniz reúne 2 mil apoiadores de mais quase 140 municípios

A plenária “A Coragem que Vem do Povo”, de lançamento da pré-candidatura a deputado estadual, De Assis Diniz, realizada na manhã deste sábado, 4 de julho, na Fábrica de Eventos do Hotel Praia Centro, reuniu cerca de 2 mil lideranças de quase 140 municípios. Entre os apoiadores, o Ministro-Chefe da Secretaria de Relações Institucionais, José Guimarães; o Presidente estadual do PT, Antônio Conin; o Presidente do PT Fortaleza, Antônio Carlos; e o pré-candidato a deputado federal Raimundo Martins. Acompanhado da esposa Selma e dos filhos José Antônio e Ester, De Assis teve direito a um bolo de aniversário gigante, celebrando seus 62 anos, comemorados dia 3.

“Esta manhã não posso deixar de registrar minha origem, menino humilde do Cedro, minha família, meu partido. Minha caminhada nos movimentos sindical e popular. E agradecer essa militância que se deslocou de cidades tão distantes. E que segura a onda nesta guerra contra a mentira, as fake news. Somos nós que temos que propagar a verdade e o trabalho dos governos Lula, Elmano e Evandro, com conquistas na saúde, educação, habitação geração de emprego e renda, infraestrutura, agropecuária. Temos que ter coragem e defender este legado”, afirmou.

Votado em todos os 184 municípios do Ceará em 2022, De Assis Diniz reafirmou sua força no interior com a presença dos prefeitos Elias do Sargento, de Jaguaruana; Edsonriva, de Jucás; João Paulo, de Mauriti; Solange Campelo, de Potiretama; Antoniel Holanda, de Itaiçaba; José Luciano, de Palhano; Glauber Holanda, de Ereré; Marcondes Barbosa, de Palmácia; Celso Gomes, de Iracema além dos vice-prefeitos Ilomar Vasconcelos, de Canindé; Raimundo Luna; de Jucás; e Evaristo Magalhães, de Iracema.

Houve ainda exibição de mensagens gravadas do presidente nacional do PT, Edinho Silva; do ex-titular da Casa Civil do Estado, Chagas Vieira; do presidente da Assembleia Legislativa, Romeu Aldigueri; e do ex-ministro José Dirceu. O evento reuniu representantes de movimentos sociais, de trabalhadores, de agricultores familiares, sindicalistas, das juventudes e de mulheres.

Guimarães cobra definição de chapa e diz que demora é "erro estratégico"

 


Busca do governador Elmano de Freitas em adiantar definição não se concretizou até o momento. Prazo vai até 5 de agosto.

Uma das principais lideranças do PT Ceará, o ministro das Relações Institucionais e deputado federal licenciado José Guimarães (PT) cobrou que a chapa do governador Elmano de Freitas (PT) seja logo definida. Para o petista, a demora quanto à definição dos nomes nas posições de vice e senadores é um "erro estratégico" para a campanha do PT.

Apesar de apontar otimismo quanto à vitória do partido na disputa pelo Governo do Estado, Guimarães apresentou pontos que, segundo ele, precisam ser analisados "com urgência". Para além da definição da chapa majoritária, ele defendeu a mobilização da militância e "colocar a campanha na rua", além da vinculação do pré-candidato Ciro Gomes (PSDB) - visto como nome mais competitivo na oposição - ao bolsonarismo.

"Primeiro, botar a militância na rua. É isso que nós precisamos. Segundo, apressar a decisão da chapa, quem vai ser vice e quem são os dois senadores. Não pode ficar protelando, isso é um erro estratégico, já que o outro lado tá fazendo campanha. Terceiro, vincular o nosso adversário ao Bolsonaro aqui no Ceará. Portanto, essas três questões precisam ser vistas com urgência", falou Guimarães em entrevista coletiva nesse sábado (4).

Questionado sobre a definição dos candidatos ao Senado na chapa, posto que já pleiteou antes de ir para o governo Lula, Guimarães falou que isso caberá ao grupo de partidos na aliança governista. "O que os partidos definirem eu tô dentro. Liderados pelo governador, tem que sentar PSB, PSD, MDB, PP, esses partidos da base e definir quem são os nomes. Eu era pré-candidato ao Senado, não sou mais porque assumi uma nova missão com Lula, mas quero ajudar e a prioridade para mim no Ceará é a reeleição do Lula e a reeleição do Elmano".

Guimarães também defendeu que as campanhas de Elmano e dos candidatos do PT a outros cargos sejam "estrategicamente" vinculadas à campanha do presidente Lula (PT). "É Lula-Elmano, Elmano-Lula", disse.

O ministro participou no sábado (4) de ato em Fortaleza de lançamento da pré-candidatura do deputado estadual De Assis Diniz (PT), que irá concorrer à reeleição na Assembleia Legislativa do Ceará (Alece). Segundo os organizadores, cerca de 2 mil lideranças, de mais de 130 municípios compareceram ao evento. Guimarães disse que o ato serve de exemplo para o PT no Ceará e falou que a campanha de Elmano "não pode ficar só no bastidor".

Conforme o calendário eleitoral, a campanha inicia oficialmente apenas em 16 de agosto. Já entre 20 de julho e 5 de agosto é o período previsto para que partidos e coligações oficializem todas as suas candidaturas.

Pré-candidato à reeleição, Elmano já afirmou publicamente que gostaria de adiantar a definição da sua chapa, anunciando os nomes antes do prazo. Uma data prevista inicialmente seria o dia 4 de julho, no último sábado, mas as tratativas não avançaram. A expectativa agora é que o grupo governista deixe mesmo para o final do prazo a definição da chapa.

O principal impasse hoje está na vaga reservada ao PSB. Enquanto figuras como o próprio governador Elmano de Freitas e o senador Camilo Santana (PT), além de lideranças do próprio PSB, defendem que o senador Cid Gomes (PSB) seja candidato à reeleição, o mesmo segue apoiando que o deputado federal Júnior Mano (PSB) assuma esse espaço, em respeito a um acordo que os dois mantêm.

Além disso, cresceu a expectativa em torno do nome da deputada federal Luizianne Lins (Rede) para uma das vagas ao Senado.

Também são cotados para a chapa majoritária da situação o deputado federal e presidente estadual do MDB, Eunício Oliveira, o presidente estadual do Republicanos, Chiquinho Feitosa, e, pelo PSD, são citados os nomes do presidente da sigla no estado, Domingos Filho, do deputado federal Domingos Neto e da vice-prefeita de Fortaleza Gabriella Aguiar.

Do lado da oposição, Ciro Gomes também não confirmou os nomes na sua chapa, mas já sinalizou qual será a provável composição. União Brasil estão certos para as posições de vice e de Senado, posições que devem ser ocupadas pelo ex-prefeito de Fortaleza Roberto Cláudio e pelo ex-deputado federal Capitão Wagner, respectivamente. Já a segunda vaga de senador está reservada ao PL, com a indicação do deputado estadual Alcides Fernandes.

Por Igor Magalhães da editoria de política do jornal OEstadoCe

Coluna do Macário Batista para 06 de julho de 2026


Causou espécie...
A vereadora Priscila Costa (PL) publicou, no fim de semana, uma mensagem nas redes sociais reafirmando fidelidade e compromisso com o senador e pré-candidato do PL à Presidência da República, Flávio Bolsonaro, com quem esteve reunida em Brasília. Priscila destaca a necessidade de unidade dentro do partido e reforçou seu alinhamento político com o projeto nacional da legenda. “Fidelidade e compromisso é o que o Brasil e o Ceará merecem! Não importa os desafios que se apresentam nas crises, a grandeza do povo brasileiro precisa ser incorporada por nós, os representantes desse povo. Nessa manhã, estive ao lado de Flávio Bolsonaro, o futuro presidente do Brasil escolhido pelo meu partido e a quem manifesto meu apoio desde sempre. Como vice-presidente do PL Mulher, minhas palavras foram de união, maturidade e propósito! Jamais abriremos mão da nação que entregaremos aos nossos filhos! O Brasil será livre do PT! Anotem: vamos vencer!”, escreveu. A manifestação chamou a atenção por ocorrer poucas horas após a saída da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro da presidência do PL Mulher, em meio à crise interna que atingiu o partido no Ceará. Apesar de ter sido uma das principais beneficiárias do apoio político de Michelle, que defendia sua pré-candidatura ao Senado, Priscila não fez qualquer referência à ex-primeira-dama na mensagem. A vereadora também evitou mencionar a disputa pelo Senado em 2026. Com a saída de Michelle do comando do PL Mulher, interlocutores do partido avaliam ainda que Priscila poderá buscar ampliar seu espaço dentro da estrutura nacional do segmento feminino da legenda, preservando protagonismo político mesmo diante das mudanças no comando partidário.
 

A frase: “A ignorância é a raiz de todo o mal, o conhecimento é a salvação”. Platão, mestre da lógica.

 

Trabalho forçado? (Nota da foto)

O Governo do “seu Trump” opera com mais 12% de taxa sobre o mel do Brasil. E eles nem sabem que o mel é brasileiro. Dizem que taxas assim caem sobre trabalho escravo. E 82% do mel que eles consomem é brasileiro. Vai ver estamos escravizando abelhas criminosamente.

Amanhã cai o “defeso”
Pescadores artesanais começarão a receber, amanhã, 7 de julho,  benefícios do Seguro-Defeso do Pescador Artesanal. No Ceará, 4.710 pescadores artesanais irão receber o benefício. O pagamento será feito em parcela única e contempla pedidos referentes aos períodos de defeso anteriores a 2026.

Ficou esquisito
Cid Gomes não largou mão da rede nem da bodega na Cordilheira da Meruoca para receber Lulalá, a quém, de véspera fez críticas em artigo, dizem que matéria paga, na Folha de São Paulo. Até aí tudo bem, que o senador é assim mesmo, quando fica amuado, de lundu.

Só que...
Nos eventos de Lula no Ceará, uma entrega de equipamentos de educação e saúde no Juazeiro do Norte e de mais trilhos da Transnordestina, houve um momento até risível pra quem olha pra ver e escuta para ouvir: Elmano, governador falou  duas vezes em Cid Gomes.

No porém...
O senador Camilo Santana discursava empolgado. Agradecia a Lula pelos benefícios de seu governo ao Ceará. E quase encerrando sua peroração, disse...nós, o povo, os vereadores, os deputados, os secretários, o Senador...Camilo. Esqueceu que tá de mau com Cid Gomes e quase o cita.

Tirando da reta
Vicente Aquino foi dizer, pessoalmente a Yuri do Paredão, que os votos que teria para deputado federal abria mão para ele. Um apoio a mais. Aliás, o deputado Yuri acaba de se instalar no Cariri com uma empresa de Táxi Aéreo, com aviões e helicóptero. E um suporte de R$15milhões do  BNB.
 
 

Brasil vai aos EUA tentar barrar tarifaço de Trump; veja os argumentos da indústria e do agro.

 


Começam nesta segunda-feira (6) as audiências públicas promovidas pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês), etapa considerada decisiva na investigação comercial americana que propõe uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros.
As audiências fazem parte do processo, baseado na Seção 301 da legislação comercial americana, e permitem que empresas, associações, governos e outras partes interessadas apresentem seus argumentos antes da decisão final dos Estados Unidos. (saiba mais sobre as audiências)
🔎 O USTR é órgão é responsável por formular a política comercial dos Estados Unidos. Também conduz investigações sobre práticas consideradas prejudiciais ao comércio americano e pode recomendar medidas como a imposição de tarifas.
Representantes da indústria e do agronegócio brasileiros estarão entre os participantes. Eles pretendem convencer o governo americano de que a sobretaxa prejudicaria não apenas exportadores brasileiros, mas também empresas, consumidores e cadeias produtivas dos EUA.
Entre os participantes estão a Confederação Nacional da Indústria (CNI), a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), a Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq) e a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), além de representantes dos setores de café, arroz, açúcar, etanol de milho, ferro-gusa, rochas ornamentais, madeira, papel, calçados, mel e propriedade intelectual.
Enquanto isso, equipes técnicas dos governos dos dois países devem se reunir ainda nesta semana para alinhar os preparativos de uma última rodada de negociações de alto nível antes de 15 de julho, prazo em que Washington decidirá se avança com a imposição das tarifas.
A defesa da indústria brasileira
A estratégia da indústria brasileira é mostrar que as economias dos dois países são fortemente integradas e que a tarifa também elevaria custos para empresas americanas.
▶️ Indústria de transformação
A Fiesp, que representa as indústrias paulistas, defenderá que a tarifa de 25% não tem justificativa técnica nem econômica e pode prejudicar empresas e consumidores de ambos os países.
Em São Paulo, os segmentos mais expostos são justamente os de maior valor agregado, como máquinas e equipamentos, autopeças, alimentos industrializados, madeira, móveis e outros produtos manufaturados.
Segundo estimativas da CNI, caso a medida seja adotada:
31,6% das exportações brasileiras para os Estados Unidos passarão a pagar tarifa total de 37,5% (soma dos 25% da investigação comercial com outros 12,5% de outra acusação americana, de “falha no combate ao trabalho forçado” no país);
35,2% de toda a pauta exportadora brasileira para o mercado americano será atingida pela nova sobretaxa;
Somadas às tarifas já existentes da Seção 232, 54,1% das exportações brasileiras para os Estados Unidos ficarão sujeitas a algum tipo de tarifa adicional.
Durante a audiência, a entidade também pretende rebater quatro pontos da investigação dos EUA:
Propriedade intelectual: defenderá que o Brasil reduziu o estoque de patentes no INPI, reforçou o combate à pirataria e ampliou ações de fiscalização;
Tarifas de importação: afirmará que os acordos comerciais brasileiros têm alcance limitado e que cerca de metade das importações vindas dos EUA já entra no país com tarifa zero ou reduzida por regimes especiais;
Desmatamento: argumentará que o crescimento da produção agrícola decorre principalmente de ganhos de produtividade e tecnologia, e não da expansão sobre áreas de floresta;
Relação bilateral: defenderá maior integração comercial e cooperação técnica entre Brasil e Estados Unidos, em vez da criação de novas barreiras.
Fiesp: 'Tarifa não faz sentido econômico'
O presidente do Conselho Superior de Comércio Exterior da Fiesp, Roberto Azevêdo, afirmou ao g1 que a entidade pretende demonstrar que as acusações feitas pelo USTR não se sustentam.
"A prática brasileira não é discriminatória, não é desleal nem ilegal do ponto de vista das regras internacionais do comércio, e não prejudica as empresas americanas", diz Azevêdo.
Na investigação, o governo americano questiona os acordos comerciais do Brasil com países como México e Índia, alegando que eles concedem tarifas preferenciais a produtos de setores específicos.
O governo brasileiro rebate, afirmando que esses acordos são legítimos, seguem as regras da OMC e não podem ser considerados prática passível de sanções comerciais.
Azevêdo, que também é ex-diretor-geral da Organização Mundial do Comércio (OMC), ressalta que a tarifa proposta também não produzirá os efeitos pretendidos pelos EUA.
"Essa tarifa não faz sentido do ponto de vista econômico. Ela não vai resolver os problemas apontados pelo USTR. Pelo contrário, vai aumentar os custos das cadeias produtivas no Brasil e nos Estados Unidos, elevar os preços para o consumidor e prejudicar as empresas dos dois países."
Segundo Azevêdo, o caminho passa por ampliar a negociação entre os governos. "O governo brasileiro poderia ser ainda mais proativo e criativo na busca de soluções. Negociar não é entreguismo nem perder soberania. É buscar ganhos recíprocos para os dois lados."
O Brasil encaminhou, na quarta-feira (1º), uma resposta aos EUA sobre a investigação aberta pelo governo Donald Trump.
No documento, assinado pelo chanceler Mauro Vieira, o Brasil afirma que as críticas do governo americano ao Pix e a decisões do Supremo Tribunal Federal (STF) não têm relação com comércio, mas com divergências sobre políticas internas.
Roberto Azevêdo afirma que, embora a defesa técnica apresentada pelo Brasil seja consistente, a solução depende de articulação política. "Não basta apresentar argumentos jurídicos, é necessário que as instâncias políticas estejam constantemente envolvidas para buscar uma solução".
CNI defende diálogo para evitar prejuízos aos dois países
A Confederação Nacional da Indústria (CNI) defenderá, durante a audiência, que a tarifa adicional de 25% não tem justificativa jurídica, econômica ou estratégica e pode prejudicar empresas brasileiras e americanas.
Em entrevista ao g1, a gerente de Comércio e Integração Internacional da CNI, Constanza Negri, afirmou que não há evidências de que empresas americanas sejam discriminadas no Brasil.
"Na nossa perspectiva, fica claro que essas medidas não têm justificativa em nenhum dos três planos: jurídico, econômico ou estratégico", afirmou.
Segundo ela, a relação comercial entre os dois países é complementar e a sobretaxa elevaria custos para toda a cadeia produtiva.
"Qualquer medida que encareça ou crie barreiras para essa relação trará prejuízos não apenas para o Brasil, mas também para os Estados Unidos", disse.
A executiva também afirmou que a indústria defende a priorização das negociações entre os governos e alertou que a principal preocupação do setor é a incerteza gerada pelas mudanças sucessivas na política comercial dos EUA.
"O setor privado vem sofrendo não apenas pela queda das exportações, mas também pela grande imprevisibilidade. As empresas não sabem a qual tarifa estarão sujeitas", afirmou.
▶️ Máquinas e equipamentos
A Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq) pedirá a exclusão do setor de uma eventual tarifa adicional de 25%, argumentando que a relação comercial entre Brasil e EUA é baseada em cadeias produtivas integradas, e não em concorrência direta.
Os Estados Unidos são o principal destino das exportações brasileiras de máquinas e equipamentos e concentram cerca de um quarto das vendas externas do setor. Em 2025, no entanto, as tarifas impostas pelo governo americano levaram a uma queda de mais de 9% nessas exportações.
🛺 Além da tarifa global de 10% em vigor desde fevereiro de 2026, parte dos produtos também está sujeita às tarifas da Seção 232, aplicadas ao aço e ao alumínio. Antes de todo o tarifaço, a maior parte das máquinas brasileiras entrava no mercado americano com taxa zero.
A principal linha de defesa da Abimaq será mostrar que uma sobretaxação também prejudicaria a indústria americana.
Segundo a entidade, 82% das exportações brasileiras de máquinas para os Estados Unidos ocorrem entre empresas do mesmo grupo econômico, como uma matriz americana e sua filial no Brasil.
Para a Abimaq, isso mostra que as cadeias produtivas dos dois países são altamente integradas e que uma sobretaxa elevaria os custos da própria indústria americana, que depende desses componentes e equipamentos.
Ao g1, a diretora de Comércio Exterior da Abimaq, Patrícia Gomes, afirmou que muitos equipamentos são desenvolvidos sob encomenda, passam por processos de certificação e exigem relacionamento de longo prazo entre fabricantes e clientes.
"É muito difícil substituir um fornecedor de máquinas e equipamentos. Estamos falando de projetos de médio e longo prazo, com equipamentos certificados e desenvolvidos em conjunto com os clientes."
Segundo a executiva, uma ruptura nessas cadeias elevaria os custos da própria indústria americana e afetaria investimentos em setores estratégicos, como construção, logística, mineração, energia e transporte.
Apesar de defender a exclusão integral do setor, a Abimaq reconhece que o cenário ainda é incerto e considera mais provável a ampliação da lista de produtos isentos. (saiba mais)
"Nosso objetivo é buscar a exclusão do setor de máquinas e equipamentos. Mas, diante das incertezas, também trabalhamos para ampliar a lista de exceções caso as tarifas sejam mantidas."
▶️ Siderurgia
O Sindicato da Indústria do Ferro no Estado de Minas Gerais (Sindifer), que representa as empresas produtoras de ferro-gusa no principal estado exportador do produto no país, pedirá a exclusão do ferro-gusa brasileiro da tarifa.
⚙️ O ferro-gusa é a matéria-prima usada na fabricação de aço e de peças de ferro fundido. O produto abastece siderúrgicas e fundições e é considerado um insumo essencial para diversos segmentos industriais.
A entidade afirma que o produto é essencial para siderúrgicas americanas, não tem relação com os temas investigados pelo USTR e é difícil de ser substituído.
Também destaca que cerca de 83% das exportações brasileiras de ferro-gusa têm como destino os EUA e que a produção nacional utiliza carvão vegetal de florestas plantadas, reduzindo emissões de carbono.
▶️ Agronegócio
No caso do agronegócio, três segmentos brasileiros — mel, café solúvel e pescados — participam das audiências nos Estados Unidos para tentar evitar a nova tarifa proposta por Trump.
A estratégia central é demonstrar que a medida pode pressionar preços ao consumidor, elevar a inflação e também afetar cadeias produtivas dentro da própria economia americana.
Na defesa do setor, participarão entidades como:
Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA);
Sociedade Rural Brasileira;
União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (UNICA);
Associação Brasileira da Indústria do Arroz (Abiarroz);
Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé);
Associação Brasileira da Indústria de Café Solúvel (ABICS);
União Nacional do Etanol de Milho (UNEM);
Associação Brasileira dos Exportadores de Mel.
A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), que representa mais de 5 milhões de produtores rurais, afirma que as tarifas prejudicam uma relação comercial considerada complementar entre os dois países.
Em manifestação enviada ao USTR, a entidade sustenta que os acordos comerciais brasileiros com países como México e Índia seguem as regras da OMC e não causam prejuízos aos Estados Unidos.
Segundo a CNA, esses acordos representam cerca de 1,9% das importações brasileiras, enquanto os Estados Unidos seguem como o segundo maior fornecedor do mercado brasileiro.
🔎 A CNA também contesta a associação entre o crescimento do agronegócio e o desmatamento ilegal, afirmando que o aumento da produção ocorreu principalmente por ganhos de produtividade e inovação tecnológica. Como exemplo, cita que, entre 2005 e 2026, a produção de grãos cresceu 213%, enquanto o desmatamento na Amazônia caiu 79%.
Como alternativa às tarifas, a entidade defendeu o fortalecimento da cooperação bilateral em áreas como agricultura sustentável, biocombustíveis e facilitação do comércio, destacando também a dependência da agropecuária brasileira de insumos importados dos Estados Unidos.

Bom dia

                                                            Capa do jornal  OEstadoCe


Flávio Bolsonaro não vai conseguir destruir o Brasil soberano representado por Lula

 


Lula conta com algo a tradição de um povo que aprendeu que a soberania nacional não se negocia
Conteúdo postado por:
Redação Brasil 247
Há momentos em que as diferenças políticas deixam de ser apenas divergências sobre programas de governo e passam a dizer respeito ao próprio destino da Nação. O Brasil vive um desses momentos.
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A mensagem enviada por Flávio Bolsonaro ao Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos, pedindo que as sanções comerciais anunciadas contra o Brasil sejam adiadas por seis meses — justamente para que produzam seus efeitos somente depois da eleição presidencial — representa um dos episódios mais graves da vida política brasileira desde a redemocratização.
Não se trata de um parlamentar defendendo os interesses do país perante um governo estrangeiro. Trata-se do oposto. Flávio pede que uma potência que disputa espaço econômico, tecnológico e geopolítico com o Brasil administre suas medidas de pressão de acordo com a conveniência de sua candidatura presidencial. Em outras palavras, pede que interesses estrangeiros sejam sincronizados com o calendário eleitoral brasileiro.
É difícil imaginar demonstração mais explícita de subordinação política.
A existência do Brasil como nação soberana e o modo de vida tão precioso que os brasileiros construíram ao longo de gerações — com trabalho, sacrifício e, em muitos momentos da história, com sangue — jamais poderão ficar subordinados aos cálculos eleitorais de quem se dispõe a recorrer a uma potência estrangeira para alcançar o poder.
A atitude das autoridades estadunidenses, ao, de seu modo, admitir discutir o calendário dessas sanções em função da disputa política brasileira apenas reforça a gravidade do episódio. Ultrapassa a esfera diplomática e toca diretamente a independência do processo eleitoral nacional. Nenhuma democracia digna desse nome pode considerar normal que um governo estrangeiro seja chamado a influenciar, ainda que indiretamente, as injunções de uma eleição presidencial.
Esse comportamento ajuda a explicar por que a candidatura de Flávio Bolsonaro encontra crescente resistência entre os brasileiros. Um candidato que oferece seu eventual governo aos interesses de outra potência dificilmente pode apresentar-se como representante da soberania nacional.
Do outro lado está o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Pode-se concordar ou discordar de suas políticas, mas sua posição diante das pressões externas tem sido inequívoca: o Brasil decide seu destino em Brasília, não em Washington nem em qualquer outro lugar. A defesa da autonomia nacional, da integração sul-americana, do fortalecimento dos BRICS e de uma política externa independente tornou-se uma das marcas de seu governo.
É justamente essa soberania que está em disputa.
As eleições de outubro definirão muito mais do que a ocupação do Palácio do Planalto. Definirão se o Brasil continuará sendo uma República que toma suas decisões conforme a vontade de seu povo ou se aceitará que interesses estrangeiros passem a influenciar seu futuro por intermédio de candidatos vestindo casaca alheia, dispostos a abrir mão da independência nacional.
Flávio Bolsonaro pode contar com apoios externos. Lula conta com algo infinitamente mais poderoso: a tradição de um povo que, desde a Independência, passando pela Abolição, pela República e pela redemocratização, aprendeu que a soberania nacional não se negocia.

É por isso que Flávio Bolsonaro não conseguirá destruir o Brasil soberano e pujante, no rumo de atingir seu grande destino, representado por Lula.